23/04/2007

Aula 19: "SPINNING BORIS"


Boris foi realizado, em 2003, por Roger Spottiswood e tem como protagonistas Jeff Goldblum (George Gorton), Anthony LaPaglia (Dick Dresner) e Liev Schreiber (Joe Shumate). Esta película retrata algumas das técnicas utilizadas pelo Marketing Político. Baseado em factos reais pretende demonstrar a força e a importância que os consultores de comunicação têm nas sociedades democráticas. Este filme mostra todas as artimanhas usadas para a reeleição do Presidente da Rússia em 1996.





A dada altura do filme o Presidente da Rússia vê-se forçado a jogar a última carta do baralho e aceita a proposta do trio de "marqueteiros americanos" para fazer uma campanha negativa. Como exemplos desta campanha negativa temos:

  • Uso de anúncios, Slogans, e PELOTÕES DA VERDADE.
  • “Em 1917, ninguém sabia que os comunistas matariam milhões e arrasariam comunidades inteiras. Os comunistas não mudaram de nome, nem alteraram os métodos. Ainda não é tarde para evitar a agitação civil. MANTENHA A RÚSSIA EM SEGURANÇA.” Lançaram uma campanha com este slogan onde mostravam imagens dos ataques bolchevistas de 1917.
  • Decidiram acabar com os discursos massudos e longos de Yeltsin que normalmente demoravam cerca de três a quatro horas.


  • Puseram o Presidente a plantar árvores pois isso mostra que ele se preocupa com o ambiente, não se importa de se sujar e gosta de se misturar com o povo.


  • Um dos consultores após ter visto ex-combatentes a tentarem vender as suas medalhas para sobreviverem decidiu falar com o colega e juntos fizeram surgir o cartaz " VOTEM NO YELTSIN PARA O BEM DOS VOSSOS FILHOS". Este cartaz foi posto aos olhos dos ex-combatentes.


A 16 de Junho de 1996 Yeltsin conquista 35,2% dos votos e derrota Yuganov por 3%. Dias depois, a história secreta do trio de "marqueteiros americanos" que transformaram uma derrota anunciada em vitória era capa da revista Time. A estratégia foi um sucesso.







LINK DE INTERESSE:


A comunicação na construção da imagem dos políticos


05/04/2007

Aula 18:Campanhas Negativas na NET

A campanha negativa é uma das técnicas utilizadas pelo Marketing Político. O candidato empenha-se em "dizer mal" do adversário, revelando os defeitos do próprio. Ele deixa de se preocupar apenas em evidenciar as suas qualidades.

Uma campanha negativa tem como seguintes características:


  • Acusações (implícitas ou explícitas), insinuações, comparações, criação ou aparecimento de rumores.
  • Cartazes e publicidade dirigida.
  • Insultos e dialéctica violenta.

Respondendo à pergunta em questão a internet tem um papel fundamental nas campanhas negativas. Ela é usada estrategicamente pelos candidatos para provocar notícias em tempo real. Todos os candidatos exploram as potencialidades da internet como um importante instrumento para as estratégias de comunicação.

"A próxima, e potencialmente mais imprevisível, zona de expansão na arte das campanhas negativas é a Internet. Na Internet, a disseminação de informação já não é restrita aos profissionais. Os jornalistas, com todas as suas restrições, estão a tornar-se apenas numa, entre muitas, fonte de informação. A fronteira entre notícias e opinião esbateu-se, provavelmente para sempre, devido à proliferação de amadores na arte das notícias na Internet e também devido a muitas das práticas dos próprios jornalistas profissionais, sobretudo na televisão".

"O que está a explodir é a variedade de informação disponível na Internet: informação em bruto, sem filtragens e censuras. O veículo mais comum para a disseminação de notícias e opinião são os blogs, em proliferação massiva. Existem blogs de todas as tendências políticas possíveis. E se antes costumavam estar limitados a um pequeno grupo de pessoas que sentia a necessidade de apresentar as suas opiniões a um grupo que partilhava interesses semelhantes, hoje falamos de “blogosfera”. O termo foi cunhado em 1999 por Brad L. Graham, um especialista em comunicação ligado ao teatro, de St. Louis, em jeito de anedota, mas agora está referenciado na enciclopédia da Internet, a Wikipedia. Recentemente, a blogosfera foi reconhecida, embora relutantemente, pela imprensa como uma força real no espaço público".

"A campanha "negra" veio para ficar e a imagem dos políticos tende, deste modo, a sofrer mais um factor de degradação”. Pois, uma campanha negativa é sempre uma campanha sem ética. Daí que os políticos devem abstrair-se de lançar ataques falsos e enganosos aos seus adversários. Logo, se uma campanha positiva se faz na comunicação social, uma campanha negativa faz-se muito mais.

LINK DE INTERESSE:

O uso da Internet em campanhas eleitorais

Aula 17:A arte manipuladora do SOUNDBITE (ACT da imagem)
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O soundbite é uma forma de manipulação da opinião pública muito simples, mas eficaz. Ou seja, consiste em escolher a palavra certa que a comunicação social irá agarrar no dia seguinte.
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O Soundbite tem como principal característica ser cada vez mais curto pois na televisão é necessário que os políticos tenham no seu discurso algumas palavras-chave que se destaquem das outras. Só assim conseguirão atrair a atenção dos jornalistas e entrarem no espaço mediático.
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Citação:
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“Nas democracias, os políticos, mesmo os mais importantes, têm de sintetizar as suas ideias em duas ou três frases curtas e em meia dúzia de sinais. Só assim conseguem fazer passar as suas mensagens”
MARTINS, Luis Paixão, Schiu… está aqui um jornalista, Notícias Editorial, 2ª edição, pág.19.
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Vejamos um exemplo de um soundbite:
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Perante a recusa de Cavaco Silva no uso da sua imagem nos outdoors do PSD para as legislativas de 20 de Fevereiro de 2005, Luís Filipe Menezes proferiu o seguinte soundbite: "Cavaco não é dono da sua imagem".

«Em Portugal, os homens de Estado não se criam, decretam-se, escreveu Eça de Queiróz em 1867, no Distrito de Évora. Já não há reis que detenham o poder de «com uma assinatura, elevar um homem qualquer, ignorante e nulo, àquela ciência, àquela superioridade de espírito, àquela altura intelectual que pedem as regências públicas», como acrescentava Eça. Mas a televisão e a imagem substituíram o monarca nessa função de decidir, por razão ou por capricho, quem é e quem não é homem de Estado.



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A elaboração da lista de deputados prolonga hoje essa mistura de vaidade, espírito burocrático e ignorância que o autor das Páginas de Jornalismo retratava no século XIX. Ficando demonstrado, através da palavra de Eça, que a mediocridade é anterior à televisão na história da humanidade.
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A cobertura mediática das listas potenciou os casos negativos, à medida que estes se ofereceram. No PSD, sobressaiu a entrevista doméstica a Pôncio Monteiro, o que sempre permitiu apreciar a decoração da casa, em particular o quadro exposto sobre a lareira. No PS, destacou-se que na lista com mais mulheres de sempre ficou de fora a presidente das mulheres, além do caso Paulo Pedroso. O PP saiu em glória, fresco que nem uma alface, chegando ao excesso de se declarar «um partido sossegado» (as televisões expuseram mesmo um dirigente que adormeceu).

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Assim, Portas conseguiu salvar a imagem do PP dos destroços do tsunami governamental. Já o PS, ao aplicar aos casos Pedroso e Fertuzinhos a solução cozida, que não é carne nem peixe e é carne e peixe ao mesmo tempo, mostrou que o guterrismo é uma ideologia viva. O Bloco já não viabiliza governos socialistas um ziguezaguear tranquilo. A fava do bolo-rei das listas saiu ao PSD, agravada pelo episódio do cartaz, um restyling do famoso ícone marxista-leninista, apesar das dissemelhanças capilares. Note-se como Sá Carneiro aparece, sorridente, num ângulo idêntico ao de Santana Lopes, enquanto Cavaco aparece de frente, inexpressivo. O grande soundbite televisivo foi de Luís Filipe Menezes «Cavaco não é dono da sua imagem». Assim se provando que o estatuto de homem público é definido por decreto visual.


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A TVI elegeu ontem Coimbra como o duelo mais interessante da campanha. A nomeação mediática valoriza Nobre Guedes enquanto figura ecológica, o que capitaliza a favor do PP toda a carga negativa da co-incineração. A SIC lembrou que a presença de Matilde Sousa Franco é ausência de Manuel Alegre no «distrito da co-incineração». Sua Majestade, a televisão, decreta assim a sua vontade».
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O espaço político é tão disputado que a eficácia do político é determinada pelo facto de este conseguir ou não divulgar a sua mensagem. Para tal, tornou-se vital a recorrência às ferramentas do marketing político que chegam, inclusivamente, a incidir na sua própria imagem , controlando desde o modo como se veste ao modo como fala. Há, contudo, qualidades inatas que poderão favorecer a condição do profissional da política, como, por exemplo, o carisma.