20/12/2006

Aula 10: O "vai e vem" dos assessores

A assessoria de imprensa, como já vimos em aulas anteriores, é uma disciplina das relações públicas que se destina a estabelecer relações com os jornalistas. O trabalho de assessoria de imprensa é apenas uma forma especial de entrada dos meios de comunicação social, através do qual são enviadas informações aos jornalistas.

O assessor de imprensa pode considerar-se o principal informador dos jornalistas, todavia, os assessores não podem exigir que as suas informações sejam divulgadas pelo jornalista. Este, por seu lado, ao receber informações de assessores de imprensa não está a assumir qualquer compromisso no que respeita à sua divulgação.

Citação:

“A chave das boas relações é a prontidão, a veracidade, a concisão e o interesse das notícias e o material editorial fornecidos aos órgãos de comunicação social pela empresa.”

LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Europa-América, 1999, 2ª edição, pág.70

O que J. Martins Lampreia quis dizer foi que é importante existir um bom entendimento entre jornalistas e assessores.

Como a actividade de RP é não regulamentada em Portugal é perfeitamente natural existirem situações de "vai- e-vem". Há jornalistas que saltam para a política. Políticos saltam para as redacções. Assessores regressam ao jornalismo. Políticos fazem entrevistas. Jornalistas candidatam-se a deputados. Com mais intensidade que o habitual, tem-se visto de tudo. Tudo isto para dizer que qualquer jornalista pode desempenhar as funções de um assessor de imprensa desde que não o faça em simultâneo.

Podemos verificar que no artigo 3º do Estatuto do Jornalista está presente que o jornalista não pode exercer ao mesmo tempo outra profissão – a acumulação não é permitida:

1 - O exercício da profissão de jornalista é incompatível com o desempenho de:

b) Funções remuneradas de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem, bem como de orientação e execução de estratégias comerciais.

Os jornalistas são, em geral, muito críticos relativamente aos seus pares que interrompem a profissão para exercerem funções de assessoria de imprensa. De facto, ser assessor de imprensa de uma personalidade ou instituição política, pressupõe um contrato, explícito ou implícito, entre assessor e assessorado, baseado em afinidades pessoais e políticas, que obriga o assessor a um dever de lealdade para com o assessorado. Ora, o contrato do jornalista é com os cidadãos e a sociedade, que esperam receber dele informação rigorosa e independente sobre o que acontece no mundo. Em troca da independência a que está obrigado, o jornalista é credor de confiança, credibilidade e autoridade, as quais lhe conferem uma legitimidade e um estatuto que o colocam acima de quaisquer interesses e inclinações, sejam eles de natureza pessoal ou política, respeitem a instituições públicas ou privadas. A expectativa do público relativamente ao jornalista, é, assim, diferente da expectativa face a um político ou um assessor.

Um caso de Vai-e-Vem:

A auto-regulação funciona!
Eis um exemplo de como a auto-regulação, entre jornalistas, funciona: inexplicavelmente, a SIC contratou para trabalhar, como seu enviado especial a Timor, um antigo jornalista da Lusa RDP em Dili, que desempenha funções como representante do governo de Timor no estrangeiro (inexplicavalmente, também, esse antigo jornalista aceitou).É evidente a incompatibilidade - na medida em que não se vê como é que o referido antigo jornalista consegue (nem parece que...) a isenção e a equidistância entre dois interesses: o da notícia, que pode ser desagradável para o governo de Timor, e o da pacificação da situação social e política, que pode pode ser incompatível com os valores-notícia.

Esse tal "vai-e-vem" de profissionais entre uma actividade e a outra, conduz muito provavelmente a uma perda de isenção ou até mesmo a uma concorrência desleal. Do ponto de vista ético esta é uma questão reprovável. A lei deveria assegurar um "período de nojo" que condicionasse o trabalho do jornalista e o inibisse a certos assuntos. Porém a criação desse período é opcional e não formal, parte da pressão dos órgãos de comunicação social ou é estabelecida pelo próprio jornalista.

No meu ponto de vista, tal como Francisco Rui Cádima, as actividades de jornalismo e de assessoria de imprensa deveriam ser incompatíveis.

19/12/2006

Aula 9 : Comunicação de Crise (11 de Março) (ACT)

A comunicação de crise é mais uma das disciplinas das Relações Públicas. Esta é tudo aquilo que se faz na sequência de uma situação adversa para posicionar a versão do protagonista atingido, para garantir a sua intervenção nos meios e para transmitir uma posição de abertura e transparência.A comunicação de crise acontece quando o fluxo informativo não pode ser controlado ou previsto, em que os protagonistas são apanhados desprevenidos com algo que aconteceu sem depender deles.

Vejamos o exemplo do 11 de Março em Espanha, um caso de má comunicação de crise.

A 11 de março a Espanha preparava-se para votar quando se deu o trágico atentado islâmico. Inicialmente o Partido Popular de José de Maria Aznar decidiu atribuir as culpas à ETA sem ter sequer nenhum tipo de provas. No entanto, a ETA costumava reivindicar todos os seus atentados mas nessa altura não o fez. Então, elementos ligados à ETA afitmaram não ter qualquer responsabilidade e colocaram em causa a palavra do Primeiro-Ministro Espanhol.
Acostumado a manipular as informações visando sempre seus interesses, o governo espanhol não se deu conta de que a realidade não se rendia à sua vontade. E quanto mais insistia em distorcer a verdade, mais ela crescia e lhe devorava. Esse comportamento deixou patente a falta de princípios éticos da direita espanhola na condução das questões de Estado. Quitou as dúvidas que as pessoas ainda pudessem ter em relação às mentiras anteriores. Representou o fim da inocência no julgamento das acções do governo.

O governo deparou-se com um tipo de cobertura a que não estava habituado. Isto levou a que a verdade fosse descoberta. Os atentados foram reivindicados por autores islâmicos. A população, sentiu-se enganada e acabou por dar vitória a José Rodríguez Zapatero do PSOE. Aznar não teve outra saída senão conformar-se com a merecida derrota.

Aznar ainda se tentou defender das acusações mas mesmo assim não consegiu convencer ninguém.


Respondendo à pergunta em questão para este texto Aznar não fez bem em optar pelo argumento de culpabilizar a ETA pelos atentados. Ele utilizou este argumento talvez para uma possível fuga à derrota.


LIGAÇÕES USADAS



15/12/2006

Aula 8 : Press Release (ACT)
PRESS RELEASE
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19 de Dezembro de 2006
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ISLA marca presença no FÓRUM EXPONOR 2006 mais um ano
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Este ano o salão EDUK@ atraiu cerca de 20.000 visitantes à Exponor. Entre os dias 4 e 7 de maio o Fórum Exponor apresentou ao mercado as mais recentes apostas na área da educação, das novas tecnologias para o meio escolar e do entretenimento. O Isla Gaia esteve mais uma vez presente onde participou no Fórum Exponor 2006 composto por 4 salões especializados: Didáctica – Salão de Material Didáctico, Eduk@ - Salão de Oferta Educativa e Formativa, Young – Salão de produtos, equipamentos e serviços para jovens e Game Challenge – Salão de Entretenimento Digital.
O ISLA consegiu atingir os seus objectivos revelando-se mais uma vez um evento de extrema importância para publicitar a Instituição. Contamos com a presença de de vários alunos dos cursos de Comunicação, Psicologia Organizacional, Gestão de Sistemas de Informação e Multimédia e ainda Turismo.
O curso de Gestão de Sistemas de Informação e Multimédia, participou com os robots Psychotron V2 e Xiroboland no concurso Robótica 2006 e conseguiram o 4º e 5º lugares.
O Fórum Exponor procura sempre o melhor para os seus expositores e visitantes, tendo sempre uma vasta oferta educativa, didáctica e formativa.
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CONTACTOS:
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Catarina Almeida
227531234/915470032
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ISLA-GAIA
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01/12/2006

Aula 7: A Assessoria de Imprensa e o seu relacionamento com os jornalistas

A Assessoria de Imprensa é uma disciplina das relações públicas que se destina a estabelecer relações com os jornalistas. É também uma maneira pela qual são enviadas aos jornalistas, informações que enriquecem a notícia. O assessor de imprensa é parte integrante da estratégia embora não se relacione com a mensagem.
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A relação entre jornalistas e assessores é muito importante. O que realmente interessa às empresas é que as suas mensagens deixem de ser publicidade e passem a ser espaço mediático, a ser notícias. Para isso acontecer tem sempre que se recorrer aos jornalistas pois um trabalho de um assessor é feito por um jornalista.
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Citação
O responsável pelo serviço de imprensa deve ser um «jornalista», trabalhando para uma empresa em vez de para um órgão de informação, sendo até preferível que já tenha exercido essas funções, visto tal experiência lhe trazer um conhecimento de «tarimba» desejável nas pessoas ligadas ao meio jornalístico.”
(Lampreia, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, pág. 15)
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Aqui coloca-se um problema de incompatibilidade que é o "vai e vem", ou seja, o jornalista que passa a ser um assessor e depois volta a ser jornalista. Qualquer jornalista pode desempenhar as funções de assessor de imprensa, mas não pode exercer as duas actividades em simultâneo.
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Vejamos dois exemplos em que a relação entre assessores e jornalistas se torna difícil:

O Público divulga hoje o número de escolas do primeiro ciclo que encerraram este ano lectivo. É a sua manchete. Ontem uma camarada minha tentou, junto do assessor de imprensa do Ministério da Educação, obter esta mesma informação, mas o assessor mandou-a contactar todas as escolas ou concelhos e somar... O Ministério não divulgaria essa informação. Mas parece-me evidente que o número, para estar tão pormenorizado no Público, só poderia vir de uma fonte [parabéns ao Público].
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Eu aceito que haja alguma distribuição selectiva das informações, mas não aceito que assessores de serviços públicos recorram a técnicas como a descrita para conseguir os seus fins.
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Quando Guterres se baralhou com os números do PIB alguns órgãos de comunicação social o noticiaram - veio a saber-se depois que um assessor do então líder socialista telefonara para os jornalistas sensibilizando-os para que não difundissem o som ou - pior - as imagens. Alguns aceitaram.Lembrei-me disto porque li na sexta-feira que foi o assessor de imprensa do CDS o responsável pela fuga de informação quanto à data do referendo. Ter-se-á enganado no envio de uma reacção de Ribeiro e Castro, feita antecipadamente, e quando percebeu ligou para os órgãos de comunicação social a pedir que esquecessem a notícia. Uns te-lo-ão feito, outros não (ainda que alguns destes argumentem que, quando o assessor ligou, já a notícia estava on line).a) No primeiro e também no segundo caso não se trata de informação obtida por meios desleais; b) no primeiro, mas sobretudo no segundo caso, é evidente o seu interesse jornalístico; c) aceder ao pedido do assessor é, no primeiro caso, um péssimo serviço; no segundo não servir os leitores/ouvintes; d) muito mais quando há uma difusão colectiva da mesma informação.
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LIGAÇÕES USADAS