19/12/2006

Aula 9 : Comunicação de Crise (11 de Março) (ACT)

A comunicação de crise é mais uma das disciplinas das Relações Públicas. Esta é tudo aquilo que se faz na sequência de uma situação adversa para posicionar a versão do protagonista atingido, para garantir a sua intervenção nos meios e para transmitir uma posição de abertura e transparência.A comunicação de crise acontece quando o fluxo informativo não pode ser controlado ou previsto, em que os protagonistas são apanhados desprevenidos com algo que aconteceu sem depender deles.

Vejamos o exemplo do 11 de Março em Espanha, um caso de má comunicação de crise.

A 11 de março a Espanha preparava-se para votar quando se deu o trágico atentado islâmico. Inicialmente o Partido Popular de José de Maria Aznar decidiu atribuir as culpas à ETA sem ter sequer nenhum tipo de provas. No entanto, a ETA costumava reivindicar todos os seus atentados mas nessa altura não o fez. Então, elementos ligados à ETA afitmaram não ter qualquer responsabilidade e colocaram em causa a palavra do Primeiro-Ministro Espanhol.
Acostumado a manipular as informações visando sempre seus interesses, o governo espanhol não se deu conta de que a realidade não se rendia à sua vontade. E quanto mais insistia em distorcer a verdade, mais ela crescia e lhe devorava. Esse comportamento deixou patente a falta de princípios éticos da direita espanhola na condução das questões de Estado. Quitou as dúvidas que as pessoas ainda pudessem ter em relação às mentiras anteriores. Representou o fim da inocência no julgamento das acções do governo.

O governo deparou-se com um tipo de cobertura a que não estava habituado. Isto levou a que a verdade fosse descoberta. Os atentados foram reivindicados por autores islâmicos. A população, sentiu-se enganada e acabou por dar vitória a José Rodríguez Zapatero do PSOE. Aznar não teve outra saída senão conformar-se com a merecida derrota.

Aznar ainda se tentou defender das acusações mas mesmo assim não consegiu convencer ninguém.


Respondendo à pergunta em questão para este texto Aznar não fez bem em optar pelo argumento de culpabilizar a ETA pelos atentados. Ele utilizou este argumento talvez para uma possível fuga à derrota.


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